IDH: educação não avança e Brasil fica estagnado no ranking de bem estar da ONU

O país ficou na 79ª posição, logo atrás da Venezuela, dentre um conjunto de 189 economiasManoel Ventura, Martha Beck, Daiane Costa e Bárbara Nóbrega14/09/2018 – 11:00 / Atualizado em 05/10/2018 – 19:58


IDH da Educação ficou estagnado
Foto: O GLOBO
IDH da Educação ficou estagnado Foto: O GLOBO

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BRASÍLIA — Pelo segundo ano consecutivo o Brasil ficou estagnado no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que mede o bem-estar da população considerando indicadores de saúde, escolaridade e renda. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em 2017 o país se manteve na 79ª posição, logo atrás da Venezuela, dentre um conjunto de 189 economias. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro é de 0,759. Pelo critério da ONU, quanto mais perto de 1, maior é o desenvolvimento humano. RECEBA AS NEWSLETTERS DO GLOBO:CADASTRARJá recebe a newsletter diária? Veja mais opções

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Para o economista e diretor do FGV Social, Marcelo Neri, esses resultados mostram que a recessão econômica afetou o IDH para além do dano óbvio sobre a renda, que caiu em relação a 2015. Teve efeito indireto sobre a expectativa de vida e sobre a escolaridade, que praticamente estagnaram nessa mesma comparação. A primeira reflexo do aumento da mortalidade, por razões como o surto de vírus Zika e o segundo da falta de estímulo ou condições de estudar, devido ao alto desemprego.

— Entre os anos 1990 e 2010 o Brasil tinha feito progressos em todas essas dimensões acima dos resultados mundiais. Agora estamos vendo toda essa instabilidade econômica afetar o desenvolvimento social, que desacelerou — avalia Neri.

O IDH é calculado com base em indicadores de saúde, educação e renda. Em 2017, a expectativa de vida era de 75,7 anos, praticamente a mesma de dois anos antes (75,3). Na educação, o período esperado para que as pessoas fiquem na escola paralisou em 15,4 anos e a média de anos de estudo foi de 7,8 anos, frente aos 7,6 apurados em 2015. Já a renda per capita, que era de R$ 14,350 em 2015, caiu para R$ 13,755 no ano passado. Por isso, a melhora do IDH do Brasil de 2015 para 2017 foi de 0,002.PUBLICIDADE

Tiago Macedo, de 24 anos, tem um filho de 4. A esposa, 23, é auxiliar de serviços gerais. Mora no Catumbi e concluiu o ensino médio em 2015, mas nem tentou faculdade porque a prioridade é o sustento da família.

— Já era pai, não tinha tempo para trabalhar e estudar. Eu gostaria de ter feito administração para não estar sem emprego agora — conta.

Demitido há seis meses, só foi chamado para duas seleções nesse período.

— Na hora da entrevista o fato de não ter faculdade faz diferença. Hoje você espalha muitos currículos e só um lugar te liga para fazer entrevista, e muitas vezes você não passa – diz.

Apesar de os dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgados nesta sexta-feira pela ONU terem como referência 2017, em muitos casos as estatísticas são de períodos anteriores, pois em alguns países só há disponíveis informações mais antigas. A Venezuela sempre apareceu à frente do Brasil no ranking, porque tem uma escolaridade maior e uma renda alta graças ao petróleo. Mesmo assim, o país caiu 16 posições no ranking nos últimos cinco anos .

GANGORRA DO IDHVeja quantos países cresceram ou caíram no Índice deDesenvolvimento Humano em 2017No Mundo(189 PAÍSES)346194Subiram no rankingEstávelCaíram no rankingNa América do Sul(12 PAÍSES)147Subiram norankingEstávelCaíram no rankingFonte: PNUD

O Brasil está na 79ª posição do ranking desde 2015, no conjunto de nações de alto desenvolvimento humano. O melhor colocado na lista continua sendo a Noruega (0,953) e o pior, o Níger (0,354). Quando analisados os dados dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apenas Rússia apresenta um IDH maior que o do Brasil (0,816). Na comparação com a América do Sul, o Brasil é o quinto país com maior IDH. O país fica atrás de Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela, nesta ordem.

Os dados do Pnud mostram que o Brasil ocupava 86ª colocação no ranking do IDH em 2012 e subiu posições até 2015, quando estagnou na 79ª. No entanto, considerando a evolução do país desde que o IDH começou a ser calculado, em 1990, o país teve melhoria em todos os indicadores.

A coordenadora da unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Samantha Dotto Salve, explica que a Venezuela, que passa por uma grave crise econômica e humanitária, ainda aparece à frente do Brasil no ranking porque historicamente tem indicadores “muito bons”, que apesar de terem se deteriorado nos últimos anos, ainda se mantêm num padrão alto.

– Ocorre que os indicadores avaliados pelo IDH são bastante estruturais e se referem ao histórico político do país, não mudam drasticamente com um acontecimento recente. Mas já há efeitos da crise. Prova disso é que, entre 2012 e 2017, enquanto a Venezuela perdeu 16 posições no ranking, o Brasil subiu sete. Hoje, a Venezuela só leva vantagem em relação ao Brasil nos anos médios de estudo. Essa brecha entre os dois países está diminuindo e, se os padrões continuarem os mesmos, a tendência é que o Brasil ultrapasse a Venezuela nos próximos anos – disse Samantha.

RANKING MUNDIAL DA QUALIDADE DE VIDAO Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é a combinação de três outros indicadores: saúde, educação e renda. O resultado do cálculo é um número que vai de 0 a 1. Quanto maior, melhor. São avaliados 189 países.

A taxa de crescimento do IDH brasileiro foi de 24,3% entre 1990 e 2017. No período, os brasileiros ganharam 10,4 anos de expectativa de vida e viram a renda aumentar 28,6%. Na educação, a expectativa de anos de escolaridade aumentou 3,2 anos, enquanto a média de anos de estudo subiu 4 anos.

Matéria: O globo

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